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Prefeitura retira pardais de faixas do BRS

Devido ao fim de contrato, 130 equipamentos foram desligados

A ideia era simples: em 2011, a prefeitura criou o chamado BRS (sigla para Bus Rapid System), um sistema de corredores exclusivos para ônibus, com o objetivo de melhorar o trânsito. O fluxo nas pistas foi reorganizado: nas faixas da direita, só circulariam coletivos e táxis; nas da esquerda, os outros veículos. A medida deu certo, pois o tempo de deslocamentos dos cariocas caiu até a metade em várias regiões. Mas, sete anos depois, todos os pardais eletrônicos instalados para flagrar invasões foram desligados.

A prefeitura informou que teve de desativar 130 equipamentos devido ao término do contrato com a empresa responsável pelo serviço. A administração municipal prometeu que novos pardais serão instalados dentro de 30 dias. Enquanto isso não acontece, estão sem qualquer fiscalização eletrônica os corredores do BRS da Rua Visconde de Pirajá, em Ipanema; da Rua Barata Ribeiro e da Avenida Nossa Senhora de Copacabana; da Avenida Presidente Vargas, no Centro; das ruas Estácio de Sá, João Paulo I, no Estácio; e Doutor Satamini, Heitor Beltrão e Conde de Bonfim, na Tijuca. Cabe apenas aos guardas municipais registrar infrações.

Em alguns pontos, a pintura azul no chão que demarca as pistas do BRS está desgastada. É o caso da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, primeira via a ganhar um corredor exclusivo para ônibus. Nela, há apenas um radar, cuja função é fotografar avanços de sinal no cruzamento com a Rua Siqueira Campos. A situação é pior na altura do número 286 da Rua Barata Ribeiro, no mesmo bairro. Ali, até o poste de um equipamento foi retirado.

Quem circula por Copacabana já constatou o abandono do sistema. Morador do bairro, o administrador de empresas Ozivan Domingos estima que os aparelhos de fiscalização foram retirados há mais de um mês.

— A bagunça no trânsito aumentou. Sem os pardais, a faixa do BRS é invadida o tempo todo por carros de passeio. Às vezes, guardas municipais aplicam multas — disse Ozivan.

Na Visconde de Pirajá, na altura do número 503, também havia um equipamento. Hoje, no local, sequer existe o poste que o segurava.

A falta de controle, no entanto, não desagrada a todos. Um motorista da linha 474 (Jacaré-Copacabana) disse que se sente aliviado sem os radares. A razão está nas 15 multas que recebeu por evasão — quando o condutor de um ônibus é flagrado saindo da faixa do BRS. A grande quantidade de infrações o levou a passar por um período de reciclagem.

— Em algumas situações, eu era obrigado a sair da faixa — argumentou o motorista, que pediu para não ser identificado.

Na Avenida Presidente Vargas, no Centro, perto do cruzamento com a Rua de Santana, também havia um pardal de BRS. Agora, só restou uma base de concreto. Na Rua Estácio de Sá, em frente ao Hospital da Polícia Militar, aconteceu o mesmo.

Para a engenheira de transportes Eva Vider, da Escola Politécnica da UFRJ, a retirada dos aparelhos de fiscalização inviabiliza o BRS:

— A retirada dos pardais prejudica o monitoramento do trânsito nos corredores. O resultado disso é uma série de invasões de carros de passeio, o que provoca uma redução da velocidade dos ônibus. O corredor exclusivo virou uma faixa comum.

Fonte: https://oglobo.globo.com/

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